2.8.05

metu

a cidade fica do lado de fora da janela do meu quarto
a que eu mantenho fechada
as persianas e a vidraça
moro com meus medos
da morte e de gente

estamos procurando um novo apartamento
eu e meus medos
precisamos de mais espaço
e telhado
já resolvemos morar no centro
e no último andar
meus medos gostam de se exibir na janela
em andar muito alto então
é o céu
gostamos dessa decrepitude urbana
dos dementes

não temos o costume de sair de casa
e se é para sair
saio sozinho
pra manter a vida
pensar se existo
atrás de comida e do que me alimenta

os pés prostrados na calçada
sustentam esse corpo que acha
que dá ouvidos a esses dois loucos
que me perturbam desde que saímos de casa

meus medos forçam a exposição da vida... dos problemas
é a maior pista não apenas da minha ridicularidade
mas também a falta da coragem em expulsá-los de casa

meus medos são antítese de crescimento
e do que seria sem eles
regulam minha vida pelo mínimo
os fatores máximos do que deixo
e da minha adaptabilidade

meus medos são jaula
me impedem de ir

a distração é da normalidade

me deixam para trás
sem ousar outro caminho

é distante a idéia da amplitude já que ocupam toda minha vida
e sem mesmo que eu perceba
espero apenas o momento certo
espero e pergunto
e aí
vamos dar uma voltinha?

marcelo veloso

3 comentários:

Anônimo disse...

Meus medos também moram comigo, mas, seria muito melhor se eu os convencesse de ficar em casa, quando eu saio, mas eles insistem em sair também....

Bjo

Bia Zandonadi

Anônimo disse...

este é um dos meus favoritos. quando prefaciar seu livro ressaltarei esse fato... !

o repetidor disse...

é vc então que vai prefaciar? Prefácio é dívida. Oba!