a cidade fica do lado de fora da janela do meu quarto
a que eu mantenho fechada
as persianas e a vidraça
moro com meus medos
da morte e de gente
estamos procurando um novo apartamento
eu e meus medos
precisamos de mais espaço
e telhado
já resolvemos morar no centro
e no último andar
meus medos gostam de se exibir na janela
em andar muito alto então
é o céu
gostamos dessa decrepitude urbana
dos dementes
não temos o costume de sair de casa
e se é para sair
saio sozinho
pra manter a vida
pensar se existo
atrás de comida e do que me alimenta
os pés prostrados na calçada
sustentam esse corpo que acha
que dá ouvidos a esses dois loucos
que me perturbam desde que saímos de casa
meus medos forçam a exposição da vida... dos problemas
é a maior pista não apenas da minha ridicularidade
mas também a falta da coragem em expulsá-los de casa
meus medos são antítese de crescimento
e do que seria sem eles
regulam minha vida pelo mínimo
os fatores máximos do que deixo
e da minha adaptabilidade
meus medos são jaula
me impedem de ir
a distração é da normalidade
me deixam para trás
sem ousar outro caminho
é distante a idéia da amplitude já que ocupam toda minha vida
e sem mesmo que eu perceba
espero apenas o momento certo
espero e pergunto
e aí
vamos dar uma voltinha?
marcelo veloso
2.8.05
Assinar:
Postar comentários (Atom)
3 comentários:
Meus medos também moram comigo, mas, seria muito melhor se eu os convencesse de ficar em casa, quando eu saio, mas eles insistem em sair também....
Bjo
Bia Zandonadi
este é um dos meus favoritos. quando prefaciar seu livro ressaltarei esse fato... !
é vc então que vai prefaciar? Prefácio é dívida. Oba!
Postar um comentário