dizem aqueles que vão um pouco além,
que a gente gosta do sono pq vem o sonho,
que é o engodo da alma sobre o corpo
que é pra escapulir pela janela
e dar uma voltinha pelo paraíso
marcelo veloso
28.10.05
4.10.05
30.9.05
ora mulher
ele tinha decência
e era até certa decência
de saber distinguir
ao menos quando
mas o que era e se era... não
nem decência
nem nada
ele tinha lá seu valor
te bebia muitas vezes
como quem toma um gole... daqueles de amor
hoje é espera
você e esses olhos moles
hoje é capenga
mesmo preso a nenhuma lei
marcelo veloso
19.9.05
da série mulheres
mulheres espanholas têm o hábito de nascer com lábios de mel e olhos de abelha
marcelo veloso
5.9.05
o morro
na elevação do morrote
as árvores vergam os galhos
e os arbustos são sempre maiores
talvez para esconder as chagas
onde a resposta tem o ar embrutecido
eu sempre aguardo
talvez com impaciência
querendo não acreditar
que vira a tal raiva nascer no arruado da pimenteira
sangue de gente
como o estrume
quando escorre
se mistura com a terra
marcelo veloso
as árvores vergam os galhos
e os arbustos são sempre maiores
talvez para esconder as chagas
onde a resposta tem o ar embrutecido
eu sempre aguardo
talvez com impaciência
querendo não acreditar
que vira a tal raiva nascer no arruado da pimenteira
sangue de gente
como o estrume
quando escorre
se mistura com a terra
marcelo veloso
31.8.05
machado
_ decifra-me ou devoro-te
_ diz a ciranda da vida que se você não é o meu melhor, não serve para mim. E se não sou o melhor de ninguém, não sirvo para nada. Só para morrer devorado
_ ah, morra devorando, companheiro!
_ devoro tua perna, isso sim, a começar pelas coxas.
marcelo veloso e flávia salme
_ diz a ciranda da vida que se você não é o meu melhor, não serve para mim. E se não sou o melhor de ninguém, não sirvo para nada. Só para morrer devorado
_ ah, morra devorando, companheiro!
_ devoro tua perna, isso sim, a começar pelas coxas.
marcelo veloso e flávia salme
17.8.05
da série nano conto de ninar
acho que a minha vida só começou mesmo no dia que me vi nu
lambuzado de sangue
e pendurado pelos pés
entender a situação estava distante até então da minha realidade
o que está acontecendo?
quem são essas pessoas ao meu redor?
porque anseiam tanto pelo meu pranto?
porque me cortam com essa tesoura?
meus pés
por favor, não tirem sangue dos meus pés
porque me levam?
para onde?
não sou culpado de nada
não que eu saiba
sabia que, provavelmente, aquilo poderia não acabar bem
então logo formulei meu primeiro palpite para aquela nova vida
dando tudo errado
grite
e gritei
que momento para um recém nascido
marcelo veloso
lambuzado de sangue
e pendurado pelos pés
entender a situação estava distante até então da minha realidade
o que está acontecendo?
quem são essas pessoas ao meu redor?
porque anseiam tanto pelo meu pranto?
porque me cortam com essa tesoura?
meus pés
por favor, não tirem sangue dos meus pés
porque me levam?
para onde?
não sou culpado de nada
não que eu saiba
sabia que, provavelmente, aquilo poderia não acabar bem
então logo formulei meu primeiro palpite para aquela nova vida
dando tudo errado
grite
e gritei
que momento para um recém nascido
marcelo veloso
16.8.05
disse
ela diz
não minto
a verdade só espanta os hipócritas
ele diz
disfarço
a pornografia sentimentalizada pela escrita é apenas uma vontade explícita
e reprimida
marcelo veloso
não minto
a verdade só espanta os hipócritas
ele diz
disfarço
a pornografia sentimentalizada pela escrita é apenas uma vontade explícita
e reprimida
marcelo veloso
4.8.05
não é nada disso
não é porque estou indo, que você também precisa ir
você fala e fala... me canso só de pensar
você diz agora e continua falando
você pede mas não percebe
quanto mais se quer, menos se consegue
não vê? não, não vê! não percebe
só fala e continua dizendo
e isso vai se tornando rotina
vai se tornando realidade
vai se fazendo mais fim
mais do fim que do começo
e isso nós não percebemos
não é porque choro, que vai enxugar meu pranto
os dias tornam-se noites
e por mais vezes que isso seja certo,
sempre esperamos que certos dias nunca acabem
e acabam-se por deixar que terminem
você insiste
e tenta me mostrar o que eu não quero ver
não é porque peço, que precisa negar
mais uma vez estamos aqui
criamos essa imagem
e passeamos pelas esquinas,
procurando por algo que na verdade sempre esteve dentro de nós
então você esconde nas palavras a maldade
e a insegurança
e acha que não percebo
não é porque não minto, que vai acreditar
me deixo pensar que isso está nos consumindo
está nos deixando amargos
e que dê tempo às horas,
pois pensamos em nos deixar
então você fala que vai me deixar por aí
e eu acredito
não é porque falo, que vai me ouvir
eu digo o que quero
deveria ter dito há muito tempo
você se cala e ... retrai
vai afundando no pano,
misturando os travesseiros,
os cheiros
eu continuo falando e da fala me engasgo,
com medo de me perder dentro da minha própria cama
não é porque te olho, que vai me ver
quando a vontade cessará?
o quanto tenho a viver, pensar
e se isso for real?
se os sonhos não fossem sempre em preto e branco,
talvez eu poderia enxergar em vez de olhar e não ver
não é porque acho, que vai saber
essas mãos, esses pés, essa nuca
isso me consome
isso me faz mais morto que a própria certeza de estar vivo
esse mundo paralelo, distante
das vezes que disse,
pensou mas não disse,
disse,
mas não quis dizer absolutamente nada
não é porque penso, que vai existir
você acha, discute, decide
separa o que é seu, o que é meu
e leva consigo tudo o que é nosso
transforma-se um mito,
mentira
não é porque te mato, que vai ressuscitar
marcelo veloso
você fala e fala... me canso só de pensar
você diz agora e continua falando
você pede mas não percebe
quanto mais se quer, menos se consegue
não vê? não, não vê! não percebe
só fala e continua dizendo
e isso vai se tornando rotina
vai se tornando realidade
vai se fazendo mais fim
mais do fim que do começo
e isso nós não percebemos
não é porque choro, que vai enxugar meu pranto
os dias tornam-se noites
e por mais vezes que isso seja certo,
sempre esperamos que certos dias nunca acabem
e acabam-se por deixar que terminem
você insiste
e tenta me mostrar o que eu não quero ver
não é porque peço, que precisa negar
mais uma vez estamos aqui
criamos essa imagem
e passeamos pelas esquinas,
procurando por algo que na verdade sempre esteve dentro de nós
então você esconde nas palavras a maldade
e a insegurança
e acha que não percebo
não é porque não minto, que vai acreditar
me deixo pensar que isso está nos consumindo
está nos deixando amargos
e que dê tempo às horas,
pois pensamos em nos deixar
então você fala que vai me deixar por aí
e eu acredito
não é porque falo, que vai me ouvir
eu digo o que quero
deveria ter dito há muito tempo
você se cala e ... retrai
vai afundando no pano,
misturando os travesseiros,
os cheiros
eu continuo falando e da fala me engasgo,
com medo de me perder dentro da minha própria cama
não é porque te olho, que vai me ver
quando a vontade cessará?
o quanto tenho a viver, pensar
e se isso for real?
se os sonhos não fossem sempre em preto e branco,
talvez eu poderia enxergar em vez de olhar e não ver
não é porque acho, que vai saber
essas mãos, esses pés, essa nuca
isso me consome
isso me faz mais morto que a própria certeza de estar vivo
esse mundo paralelo, distante
das vezes que disse,
pensou mas não disse,
disse,
mas não quis dizer absolutamente nada
não é porque penso, que vai existir
você acha, discute, decide
separa o que é seu, o que é meu
e leva consigo tudo o que é nosso
transforma-se um mito,
mentira
não é porque te mato, que vai ressuscitar
marcelo veloso
2.8.05
metu
a cidade fica do lado de fora da janela do meu quarto
a que eu mantenho fechada
as persianas e a vidraça
moro com meus medos
da morte e de gente
estamos procurando um novo apartamento
eu e meus medos
precisamos de mais espaço
e telhado
já resolvemos morar no centro
e no último andar
meus medos gostam de se exibir na janela
em andar muito alto então
é o céu
gostamos dessa decrepitude urbana
dos dementes
não temos o costume de sair de casa
e se é para sair
saio sozinho
pra manter a vida
pensar se existo
atrás de comida e do que me alimenta
os pés prostrados na calçada
sustentam esse corpo que acha
que dá ouvidos a esses dois loucos
que me perturbam desde que saímos de casa
meus medos forçam a exposição da vida... dos problemas
é a maior pista não apenas da minha ridicularidade
mas também a falta da coragem em expulsá-los de casa
meus medos são antítese de crescimento
e do que seria sem eles
regulam minha vida pelo mínimo
os fatores máximos do que deixo
e da minha adaptabilidade
meus medos são jaula
me impedem de ir
a distração é da normalidade
me deixam para trás
sem ousar outro caminho
é distante a idéia da amplitude já que ocupam toda minha vida
e sem mesmo que eu perceba
espero apenas o momento certo
espero e pergunto
e aí
vamos dar uma voltinha?
marcelo veloso
a que eu mantenho fechada
as persianas e a vidraça
moro com meus medos
da morte e de gente
estamos procurando um novo apartamento
eu e meus medos
precisamos de mais espaço
e telhado
já resolvemos morar no centro
e no último andar
meus medos gostam de se exibir na janela
em andar muito alto então
é o céu
gostamos dessa decrepitude urbana
dos dementes
não temos o costume de sair de casa
e se é para sair
saio sozinho
pra manter a vida
pensar se existo
atrás de comida e do que me alimenta
os pés prostrados na calçada
sustentam esse corpo que acha
que dá ouvidos a esses dois loucos
que me perturbam desde que saímos de casa
meus medos forçam a exposição da vida... dos problemas
é a maior pista não apenas da minha ridicularidade
mas também a falta da coragem em expulsá-los de casa
meus medos são antítese de crescimento
e do que seria sem eles
regulam minha vida pelo mínimo
os fatores máximos do que deixo
e da minha adaptabilidade
meus medos são jaula
me impedem de ir
a distração é da normalidade
me deixam para trás
sem ousar outro caminho
é distante a idéia da amplitude já que ocupam toda minha vida
e sem mesmo que eu perceba
espero apenas o momento certo
espero e pergunto
e aí
vamos dar uma voltinha?
marcelo veloso
28.7.05
a rua dos anos antes
a primeira rua tem cheiro de café
nessa ponta um casario antigo
na outra uma cadeia cinzenta
entre uma coisa e outra,
um campinho
e a gurizada
o uniforme de algodão
e a bola de capotão
a segunda tem cheiro de fé
cá o ponto de jardineiras
lá o externato de freiras
e ali na santa casa de misericórdia
tem gente nascendo
tem gente morrendo
e na janela do porão
estórias mal contadas,
acorrentadas
de estimação do médico alemão
a terceira tem cheiro do escuro
aqui, o racionamento
pra lá do fim, o juízo
são segredos
e faróis apagados de um carro
tem trabalhador despedido
e um futuro incerto
pronto para ser esquecido
a quarta tem o seu cheiro
começa pela minha espinha
termina na outra mão
marcelo veloso
nessa ponta um casario antigo
na outra uma cadeia cinzenta
entre uma coisa e outra,
um campinho
e a gurizada
o uniforme de algodão
e a bola de capotão
a segunda tem cheiro de fé
cá o ponto de jardineiras
lá o externato de freiras
e ali na santa casa de misericórdia
tem gente nascendo
tem gente morrendo
e na janela do porão
estórias mal contadas,
acorrentadas
de estimação do médico alemão
a terceira tem cheiro do escuro
aqui, o racionamento
pra lá do fim, o juízo
são segredos
e faróis apagados de um carro
tem trabalhador despedido
e um futuro incerto
pronto para ser esquecido
a quarta tem o seu cheiro
começa pela minha espinha
termina na outra mão
marcelo veloso
26.7.05
a cata
quem em terra e céu e mar,
sem cessar,
suporta esse corpo revolto?
quem tu?
que arde o sol acanhado,
ajuda,
submisso e santificado,
eu,
miserável banido em deserto vago.
sem cessar,
suporta esse corpo revolto?
quem tu?
que arde o sol acanhado,
ajuda,
submisso e santificado,
eu,
miserável banido em deserto vago.
25.7.05
mais escuro
o desejo chegou e sentou na janela... veio tomar café
como alguém há muito tempo não visto
um estranho bem-vindo
um distante vizinho
e disse
as noites nesse seu calendário de parede estão passando... passeando
você continua lendo essas cartas velhas
rindo e pensando o quanto tudo mudou
e ainda não acordou esta manhã porque não foi para a cama
ficou assistindo o branco dos olhos se tornarem vermelhos
café? (perguntei)
marcelo veloso
como alguém há muito tempo não visto
um estranho bem-vindo
um distante vizinho
e disse
as noites nesse seu calendário de parede estão passando... passeando
você continua lendo essas cartas velhas
rindo e pensando o quanto tudo mudou
e ainda não acordou esta manhã porque não foi para a cama
ficou assistindo o branco dos olhos se tornarem vermelhos
café? (perguntei)
marcelo veloso
20.7.05
chico e o ranço do orco
tem quem goste do céu pelo clima e prefere o inferno pela companhia
mas é na porta do inferno que se pensa um pouco... só um pouco
acorde francisco
acorde deste sono profundo
venha ver o que preparamos para você
um salão de dar inveja
de encher os olhos... diria
acorde e abra a porta
nem que seja só uma fresta
não seja bobo
ninguém vai rir de você
calce seus sapatos e desça as escadas
não... não quero
não vou
não me encham a paciência
tenho mais o que fazer do que ser bajulado por um bando de imbecis
além do mais... estou cansado de tanta bobagem
não é porque aconteceu o que aconteceu que vou ser tratado de forma diferente
me embrenhar nessa corsa infernal
que continua sugando o sangue quente que ferve
e ferve
tem dias que a gente acorda
e não acorda
com vontade de enxergar
abri os olhos
pois os conservava fechados até então
vi o nada e abri os olhos ainda mais
e a vermelhidão do nada me deixava cego
consciente ainda que me julgasse imerso num pesadelo
ou quem sabe estivesse louco
diria consciente porque não é fácil abandonar essa maluquice
consciente e cego
tentei enfiar o dedo nos olhos
não achei dedo nem olho
e então fiquei temeroso porque nem dor me causaria ou alguma sensação
morto talvez
nessas condições... morto?
cheguei a gritar
mesmo sem voz
que não conseguia lembrar onde tinha guardado todos meus sapatos de golfe
meus tênis
as calças xadrez
e as camisas de popeline azul
quis pensar mais e de tentar cheguei a ouvir um neurônio estourar
e de pouco em pouco
a panela do orco foi fritando
quebrando e destruindo o que me parecia vivo
eu e o que eu pensava
não era tudo
mas o que restava no fundo do poço era apenas um toco
morto?
é... morto
marcelo veloso
mas é na porta do inferno que se pensa um pouco... só um pouco
acorde francisco
acorde deste sono profundo
venha ver o que preparamos para você
um salão de dar inveja
de encher os olhos... diria
acorde e abra a porta
nem que seja só uma fresta
não seja bobo
ninguém vai rir de você
calce seus sapatos e desça as escadas
não... não quero
não vou
não me encham a paciência
tenho mais o que fazer do que ser bajulado por um bando de imbecis
além do mais... estou cansado de tanta bobagem
não é porque aconteceu o que aconteceu que vou ser tratado de forma diferente
me embrenhar nessa corsa infernal
que continua sugando o sangue quente que ferve
e ferve
tem dias que a gente acorda
e não acorda
com vontade de enxergar
abri os olhos
pois os conservava fechados até então
vi o nada e abri os olhos ainda mais
e a vermelhidão do nada me deixava cego
consciente ainda que me julgasse imerso num pesadelo
ou quem sabe estivesse louco
diria consciente porque não é fácil abandonar essa maluquice
consciente e cego
tentei enfiar o dedo nos olhos
não achei dedo nem olho
e então fiquei temeroso porque nem dor me causaria ou alguma sensação
morto talvez
nessas condições... morto?
cheguei a gritar
mesmo sem voz
que não conseguia lembrar onde tinha guardado todos meus sapatos de golfe
meus tênis
as calças xadrez
e as camisas de popeline azul
quis pensar mais e de tentar cheguei a ouvir um neurônio estourar
e de pouco em pouco
a panela do orco foi fritando
quebrando e destruindo o que me parecia vivo
eu e o que eu pensava
não era tudo
mas o que restava no fundo do poço era apenas um toco
morto?
é... morto
marcelo veloso
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