4.8.05

não é nada disso

não é porque estou indo, que você também precisa ir
você fala e fala... me canso só de pensar
você diz agora e continua falando
você pede mas não percebe
quanto mais se quer, menos se consegue
não vê? não, não vê! não percebe
só fala e continua dizendo
e isso vai se tornando rotina
vai se tornando realidade
vai se fazendo mais fim
mais do fim que do começo
e isso nós não percebemos

não é porque choro, que vai enxugar meu pranto
os dias tornam-se noites
e por mais vezes que isso seja certo,
sempre esperamos que certos dias nunca acabem
e acabam-se por deixar que terminem
você insiste
e tenta me mostrar o que eu não quero ver

não é porque peço, que precisa negar
mais uma vez estamos aqui
criamos essa imagem
e passeamos pelas esquinas,
procurando por algo que na verdade sempre esteve dentro de nós
então você esconde nas palavras a maldade
e a insegurança
e acha que não percebo

não é porque não minto, que vai acreditar
me deixo pensar que isso está nos consumindo
está nos deixando amargos
e que dê tempo às horas,
pois pensamos em nos deixar
então você fala que vai me deixar por aí
e eu acredito

não é porque falo, que vai me ouvir
eu digo o que quero
deveria ter dito há muito tempo
você se cala e ... retrai
vai afundando no pano,
misturando os travesseiros,
os cheiros
eu continuo falando e da fala me engasgo,
com medo de me perder dentro da minha própria cama

não é porque te olho, que vai me ver
quando a vontade cessará?
o quanto tenho a viver, pensar
e se isso for real?
se os sonhos não fossem sempre em preto e branco,
talvez eu poderia enxergar em vez de olhar e não ver

não é porque acho, que vai saber
essas mãos, esses pés, essa nuca
isso me consome
isso me faz mais morto que a própria certeza de estar vivo
esse mundo paralelo, distante
das vezes que disse,
pensou mas não disse,
disse,
mas não quis dizer absolutamente nada

não é porque penso, que vai existir
você acha, discute, decide
separa o que é seu, o que é meu
e leva consigo tudo o que é nosso
transforma-se um mito,
mentira

não é porque te mato, que vai ressuscitar

marcelo veloso

3 comentários:

Anônimo disse...

Acho que já li em algum lugar, só não sei onde... Ou ouvi mesmo.

Anônimo disse...

Dá pra falar palavrão aqui!? Ah, pode!? Então tá: DO CARALHO!

Ps.: meu fotolog tá aberto à visitação.

Anônimo disse...

Conforme fui lendo, já nas primeiras linhas, minha cabeça pensava em música... A melodia desse texto é muito forte, e eu já tratei de musicá-lo, cá pra mim... Delícia de exercício que as suas palavras permitem. ;)